Esperança
Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as buzinas
Todos os tambores
Todos os reco-recos tocarem:
— Ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada – outra vez criança
E em torno dela indagará o povo:
— Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo)
Ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam:
— O meu nome é ES – PE – RAN – ÇA…
Ano-Novo
Agora nesta margem do Ano-Novo
Me sacudo todo como um cão molhado.
No meio do parque há um letreiro: ANO-BOM. O povo
Acredita,
O povo tem um sorriso que vai de orelha a orelha:
Meu Deus, até parece degolado!
Toda a rosa-dos-ventos se desfolha
E o ar está cheio de nomes amados
– uns tristes de tão longe…
Porém o rastro que eles deixam é sempre azul.
Estou só, ó Vida,
Só e livre.
Das palmas das minhas mãos brota o vôo de um
pássaro!
Enquanto
lá do fundo da infância que eu não tive –
Um menino apresta o arco…
*
Speranza
Lassù, al dodicesimo piano dell'anno,
vive una pazza di nome Speranza
e pensa che quando tutti i corni
tutti i tamburi
tutti i sonagli suoneranno:
— Oh, volo delizioso!
Sarà ritrovata miracolosamente illesa sul marciapiede – di nuovo bambina
e intorno a lei la gente chiederà:
— Come ti chiami, bambina dagli occhi verdi?
e lei glielo dirà
(bisogna dirlo a tutti di nuovo)
glielo dirà a voce molto alta, perché non lo dimentichino:
— Il mio nome è SPE – RAN – ZA…
Anno-Nuovo
Ora su questa riva dell'Anno-Nuovo
mi scrollo tutto come un cane fradicio.
In mezzo al parco c’è un cartello: BUON ANNO. La gente
ci crede,
la gente ha un sorriso che va da orecchio a orecchio:
Dio mio, sembra quasi sgozzato!
Tutta la rosa dei venti perde i petali
e l’aria è piena di nomi amati
– alcuni tristi per la distanza…
Ma la scia che lasciano è sempre azzurra.
Sono solo, o Vita,
solo e libero.
Dai palmi delle mie mani spunta il volo di un
uccello!
Mentre
là dal fondo dell’infanzia che non ho avuto –
un bambino tende l’arco…